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Projeto de Juliana Damus preserva acervo histórico gravado nas calçadas de Araraquara

27/02/2019 | Diversos

Reformas e modificação nas “calçadas jurássicas” precisam ser comunicadas à Prefeitura, para avaliação do interesse histórico de pedras que podem ter pegadas de dinossauros gravadas há 130 milhões de anos

Foi aprovado, na Sessão Ordinária de terça-feira, dia 26, na Câmara Municipal de Araraquara, projeto da vereadora Juliana Damus, com procedimentos para cuidados com calçadas revestidas de lajes de arenito da Formação Botucatu. As regras tratam da remoção, reforma, remodelação, readequação, descarte, pintura e outras obras. Estas lajes são facilmente encontradas pelas ruas do centro e bairros mais antigos de Araraquara. É um calçamento feito de lajes, entre o bege e o cor-de-rosa, considerado antigo. Boa parte desse calçamento foi feito pelo Município com lajes (pedras) de Arenito – Formação Botucatu, retiradas de pedreiras na região do Ouro, em especial da “Pedreira São Bento”.

A importância delas está no fato de que, conforme mostram estudos especializados, essas lajes formam um extraordinário acervo paleontológico, com uma infinidade de “pegadas de dinossauros” e outros importantes registros com cerca de 130 milhões de anos, de interesse público de preservação. “Com a modernização da cidade, muitas lajes vêm sendo substituídas por cimento ou outro material de manutenção mais simples e barata, sendo então descartadas de maneira inadequada. Isso acontece devido ao distanciamento entre a sociedade e o patrimônio paleontológico local, sem mencionar o desconhecimento da história da cidade”, ponderou a vereadora Juliana Damus.

Preservar história gravada nas calçadas

O objetivo da lei aprovada na Câmara é a preservação desses importantes registros para o futuro, estabelecendo para todo serviço de remoção, reforma, remodelação, readequação, descarte e outras obras envolvendo áreas destinadas ao passeio público revestidas de lajes de Arenito, a necessidade de uma análise antes de ocorrer a obra. Avaliação pretende unicamente identificar nas lajes, registros de interesse público de preservação e estudo, para que seja protegida pelo Município antes que seja descartada, danificada ou destruída.

 “Acredito que assim seja estimulada uma discussão em nossa sociedade sobre a importância da preservação da história paleontológica da cidade, trazendo maiores subsídios às ações educativas do Museu de Arqueologia e Paleontologia de Araraquara – MAPA, na valorização desse patrimônio, além de propiciar atividades culturais, socialização e inserção de grupos sociais”, disse a vereadora. A proposta não tem por objetivo limitar a ação do cidadão em fazer a substituição do calçamento, ou sua reforma quando necessário, nem mesmo pretende criar obrigações ao Poder Público.

O projeto foi encaminhado ao Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Arquitetônico, Paleontológico, Etnográfico, Arquivístico, Bibliográfico, Artístico, Paisagístico, Cultural e Ambiental do Município de Araraquara – Compphara, que o considerou de “alta relevância e recomenda o envolvimento deste Conselho no aperfeiçoamento do conteúdo do referido Projeto de Lei, bem como o apoio para sua aprovação”.

O padre italiano descobriu

Foi em 1976 que o padre italiano e paleontólogo, Giuseppe Leonardi, parou em Araraquara. Ao passear pela cidade, ele achou centenas de pegadas de dinossauros e se entusiasmou. “Ele descobriu essa abundante fauna fóssil”, disse Marcelo Adorna Fernandes, que ocupou a Tribuna Popular da sessão, estudioso do assunto, pedindo a aprovação do projeto. Ele disse que estas lajes representam o único registro de pegadas, desta forma, em todo o mundo. “Somos identificados e conhecidos em todo o mundo como ‘cidade das calçadas jurássicas’. Estamos em livros de paleontologia. As calçadas de nossa cidade fazem parte do conhecimento científico mundial, dentro da paleontologia, sendo comentadas pelos grandes pesquisadores do ramo”, comentou o pesquisador. Ele e o professor, Rogério Tampelini, que chegou a apresentar sugestão na Sessão Cidadã, estão entre os que defendem estes cuidados com as calçadas.

Segundo Fernandes, o padre italiano voltou para Araraquara dezenas de outras vezes, durante dez anos, para estudar o caso. Esses icnofósseis – pegadas e vestígios de seres pré-históricos deixados em rochas fossilizadas – ainda são encontrados em vários pontos da cidade. Os pesquisadores identificam em alguns pontos, pegadas do Ornitópodo, um dinossauro com até cinco metros de comprimento e cerca de três metros de altura.

Matéria e fotos: Imprensa da Câmara

 

 

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